![]() |
| (Branco sobre Branco) - "AUTORRETRATO" - Companhia "Nós Da Dança", de Regina Sauer (Foto Ricardo Adami) |
![]() | |
IDA FLORES
CRÍTICA DE DANÇA
"AUTORRETRATO",
ou "O TAPETE
VERMELHO", como bem poderia se chamar essa apresentação de Regina Sauer
(maio de 2013), em cartaz no CCBB (Teatro II). Regina "vem com tudo",
como diz, contando a trajetória do "Nós Da Dança". Essa companhia de
dança moderna e jazz, criada pela bailarina e coreógrafa, possui uma trajetória de mais de 30 anos, sendo,
no gênero, a mais antiga do Rio de Janeiro. Se antiguidade é mérito (e é), a
matriarca da dança moderna (a outra é Carlota Portela), nos mostra neste
espetáculo, entre alguns números alegres e comemorativos, uma das incursões
mais emotivas da dança, no Brasil: trata-se do momento em que a mestra
entra em cena e, com a participação de seus alunos, desenha os corpos em
movimento que a tornaram conhecida. Esse dançar, adquirido por Regina em sua
experiência na Alvin Ailey School, representa a sua bagagem estética e
emocional. Podemos dizer que este é o ponto alto do espetáculo. Neste
"AUTORRETRATO", nada mais adequado do que a ligação mestre/aluno: do
que esse "batismo" que é a sua chegada no palco.
Bailarinos como Adriana Salomão (que encarna a expressão emocional sugerida por
Sauer), Patricia Ruel e o recém adquirido Maicon D'Souza, são prodígios da
linguagem de Alvin Ailey. Aliás, o grupo sofre, inconfundivelmente, da
influência do balé de Ailey, e a mistura étnica que Regina reuniu em sua dança
representa muito bem nosso Brasil. O grupo, sediado no bairro de Copacabana, no
Rio de Janeiro, mostra que possui vigor democrático. São onze bailarinos, com
técnicas adquiridas em várias experiências do "estilo Sauer".
Destacamos ainda Keiton Sistelos, recém chegado dos EUA - cuja
experiência clássica, desenhada em seu dançar, demonstra a abertura da
coreógrafa para várias linguagens. Também a participação de Ana Formighieri,
Rodrigo Fernandes, Stela Maris, Tatiana Pará, Thiago Manhães, Érika Lopes e
Marcos Rogério, dão o testemunho do mais puro Sauer.
"AUTORRETRATO" se dispõe a relatar, através da gravação de
depoimentos dos bailarinos, o dia a dia da dança. Em geral, são depoimentos
ingênuos, embora sejam as vozes de professores e bailarinos
experientes. Tal demonstração de "desprendimento" acompanha a vontade
de mostrar o sofrimento físico que está por detrás de tanta dedicação. Há o bom
humor da equipe, a boa vontade dos bailarinos ao narrar o sacrifício que leva à
boa forma. Nada que o público não saiba, entretanto, o que está vivo, no
espetáculo, é a paródia da narrativa, que possibilita revelar tantos
cuidados físicos.
Regina Sauer procura sempre uma linguagem que se comunique com o seu público.
No atual "AUTORRETRATO" há um tempo de espera até se chegar a essa
linguagem. Os primeiros minutos da apresentação, os desfrutamos com o
distanciamento de (quase) um balé neo-clássico, tal os movimentos de esfinge
"estatuária" impostos aos bailarinos. Tal o seu distanciamento. Há,
nesse início, uma acentuada expressão técnica. Porém, a partir do segundo
número, encontramos a expressão do balé moderno que a caracteriza, e cuja
representação está bem estruturada nas músicas de Philip Glass, Suzane Ciani,
Wim Mertens, entre outros. A trilha sonora do espetáculo é composta por Adriana
Salomão e traz o já citado Philip Glass, cuja influência no espetáculo é
determinante, com "Metamorphosis". Destaca-se ainda a música de Win
Mertens, "Struggle for Pleasure"; Luiz Macedo, "Jongo
Interlude"; Marcos Suzano "Samba Makossa", entre outros
Regina Sauer, dessa vez, é lúdica. E emotiva. Às vezes temos a impressão de
estarmos em uma região de sonho - "branco sobre branco" (ver a foto
de abertura dessa crítica) - em sua dança. Há algo onírico, um tom de
perplexidade. E a música incidental nos dá, também, alguns momentos de beleza e
estranheza. No final, a companhia apresenta o resultado dessa auto-exposição,
desse "AUTORRETRATO". Único senão: Essa pouco mais de uma hora de espetáculo
se ressente da ausência de um texto de impacto. Assim como está, com
depoimentos como: "Tenho 1,60m, sou magra e luto muito para assim
permanecer" ... (por exemplo), e outros semelhantes, não transmitem a
verdadeira história que é a "batalha do dia a dia" de um grupo de
dança. Moderna, ou não.
Produção: Sauer & Filetto, Flavia Hargreaves, Isabella Martins
Direção Artística: Regina Sauer
Ensaiadora: Adriana Salomão
Figurino: Andre Vital
Cenografia: Clivia Cohen
Luz: Nando Pereira
Sonorização: Ariel Rodrigues
Gravação Musical: Adriana Salomão
Sonoplastia: Adriana Salomão e Danilo D'Avila
Design: Flavia Hargreaves
Fotografia: Ricardo Adami e Kaká Boa Morte
Vídeo: Fernando Filetto
Assessoria de Imprensa: Alexandre Aquino, Eduardo Lamas e Paulo Almeida (Mais e Melhores)


Deus seja louvado pela Sua Justiça! Parabéns Regina e Cia
ResponderExcluir